quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Mariana Gautério - A primeira dissertação de mestrado sobre Second Life


No terceiro DCS Entrevista realizado no dia 9 de outubro, trouxemos a mestranda Mariana Gautério, da Faculdade de Comunicação da PUCRS. Oriunda de Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, é também formada em publicidade pela mesma PUC.

Seu trabalho de Mestrado é possivelmente o primeiro no Brasil a estudar as comunidades virtuais no Second Life e, com certeza, o primeiro a estudar a Ilha Porto Alegre.


DCS Entrevista: Mariana, provavelmente essa é primeira dissertação de mestrado produzida no Brasil sobre comunidades virtuais no Second Life?

Mariana Gautério: Penso que sim. Já existem muitos trabalhos na área, mas em termos monográficos. Olha, existe uma monografia bem interessante desenvolvida por uma aluna da PUC, chamada Kessiane Franco. Ela trabalha sobre o interesse comercial das empresas neste mundo virtual, sobre a publicidade gerada aqui.

Mas o meu trabalho na verdade é sobre a formação de comunidades virtuais a partir das interações dentro da ilha de Porto Alegre. A diferença de analisar as interações, é que estou analisando o aspecto humano. Vou dar um exemplo: Não sei se todos compareceram no dia 20 de setembro na ilha de Porto Alegre, neste dia houve uma cavalgada pra comemorar a Semana Farroupilha, bem como houve na cidade de Porto Alegre. O que quero dizer é que as comunidades virtuais geradas aqui (no Second Life) tendem a seguir um exemplo das comunidades off-line.


DCS Entrevista: Você tem visto como o novo “boom” do Second Life: a proliferação de universidades? Você acha que tem campo para “aprendizado” dentro do Second Life?

Mariana Gautério: Acho que as próximas gerações estarão acostumadas, mas por enquanto acho cedo, a educação à distancia esta aí para provar isso: ela existe há bons anos e ainda não podemos dizer que rendeu muitos frutos. O professor e a sala de aula são necessários. Reconheço o potencial de todos os meios de comunicação à distancia, mas acho que a estrutura é precária, mas o Second Life esta aí pra provar que algo está mudando e vai mudar muito mais. Existe um francês Pierre Lévy, que diz que evoluiremos para uma web semântica, a web 3.0.


DCS Entrevista: Hoje ainda somos, na grande maioria, “peças acadêmicas de estudo” dentro do metaverso, quais os fatores que acabarão popularizando de vez o Second Life?


Mariana Gautério: Me interesso pelo Second Life desde que começaram a surgir rumores de que seria um meio diferente para as pessoas interagirem - e a maior prova disso é essa entrevista de hoje. As comunidades virtuais, segundo alguns autores, tendem a desenvolver-se pela associação de pessoas com interesses em comum.

Existem autores que falam que as comunidades são formadas por associações de interesses em comum desconsiderando o espaço físico, ou seja relação baseadas em uma desterritorialização, mas possuem uma abrangência territorial dentro da comunidade. Na verdade, acredito que a junção em um determinado local determina as relações, podendo criar comunidades.


DCS Entrevista: Como você vem percebendo o público brasileiro no Second Life? Tens uma idéia de perfil de público?

Mariana Gautério: Olha como ando circulando somente pela ilha de Porto Alegre não posso dizer-te com precisão, mas acredito que o público do Second Life seja mais velho que o do orkut, entre 22 a 35 anos.



Platéia (Caceta Balhaus): O interessante, Mari, é que eu vejo que muitos aqui querem ter sua vida separada da primeira... e não misturarem... o que você acha disto?


Mariana Gautério: Conheço pessoas que vivem aqui há dois anos e passam mais tempo aqui do que no mundo off-line, mas a questão não é subsituir, podemos conciliar as duas coisas. Todos nós temos várias máscaras e o avatar é apenas mais uma delas. São as personas que o filósofo Maffesoli fala. Podemos ser vários em um só

Aqui você pode ser igual ou diferente do mundo real, mas acho que quando estabelecemos ligações fortes tendemos a mostrar nossa personalidade real.

terça-feira, 2 de outubro de 2007

Alexandre Bordin: Da Caos ao Cais


O segundo DCS Entrevista teve por convidado uma prata da Casa da Ilha Brasil Porto Alegre, Alexandre Bordin (avatar: Aloprado Beck), o diretor da primeira agência "nativa e hiperativa de Second Life": a Caos Comunicação.

O "Aloprado" tem entre seus clientes, com festas no Cais do Porto e no Metrô Virtual: Ipanema, Claro, Pizza Hut, dentre tantos outros.


Segue a Entrevista realizada em 28 de setembro de 2007.

DCS Entrevista: Alexandre, na sua opinião, qual o melhor formato do Second Life? Como um game, onde avatares ficam correndo atrás de lindens; como uma festa virtual – no qual o chat funciona como uma espécie de aproximador das pessoas; ou com a estrutura de programação especial, como é o caso do próprio dcs entrevista? o que parece ter vindo para ficar?

Alexandre Bordin: É uma questão de opção pessoal, cada um cria sua segunda vida e faz escolhas como na primeira, o formato que vai permanecer e se solidificar com certeza é o que envolve as possibilidades multimídia.



DCS Entrevista: Como no caso dos Cais do Porto?

Alexandre Bordin: Sim, ambientes com informação, cultura, entretenimento de qualidade atraem um público fiel. Hoje, o Cais tem programação com DJ ao vivo durante 9 horas por dia e programação simultânea com a rádio Ipanema.
O sucesso do Cais do Porto, sem dúvida, foi construído pelos próprios visitantes.




DCS Entrevista: O Second Life, parece estar se estruturando melhor, o Brasil já é segundo maior público do mundo nele, mas você acredita que vai haver um estouro de público maior do que temos hoje?

Alexandre Bordin: Na minha opinião a utilização do Second Life segue um bom ritmo, quando estourar vai dominar a Internet com certeza.
As pessoas ainda estão tentando criar meios de ligar sua primeira vida à segunda, quando todos encontrarem benefícios reais no Second Life o ambiente 3D vai se estabelecer na internet. Os que ficam e usam com freqüência acreditam que podem criar algo produtivo aqui.



DCS Entrevista: Da comunidade da Caos: Você já teve a oportunidade de conhecer “realmente” alguns deles, alguns dos teus “funcionários”?

Alexandre Bordin: Sim, conheço alguns. É uma experiência muito gratificante.
As promoters que estão aqui podem comprovar. Apesar desse ambiente ser um "jogo", o profissionalismo da equipe está acima de tudo. É um trabalho de equipe mesmo.



Platéia (Nabuco Zapedzki): Oi, Aloprado, o ambiente para modelos de interação são muito interessantes no Second Life, mas você não acha que ainda existem limitações que precisam ser ultrapassadas por exemplo a banda de internet (custos altos e velocidades baixas no Brasil)? Existe algum incentivo do governo para negócios no Second Life?

Alexandre Bordin: Temos que criar scripts mais enxutos, ambientes racionalizados na questão dos prims. Cada um pode ajudar a otimizar o sistema.



DCS Entrevista: O Second Life é mais pessoal que um chat? Ele “parece” menos frio que a internet?

Alexandre Bordin: O Second Life é muito mais pessoal que um chat. Mesmo que o avatar seja um "disfarce" do corpo real, todos se aproveitam dele pra satisfazer seu ego real. O impacto do Second Life ainda derruba muita gente, é tão pessoal que muitos se machucam de verdade.



DCS Entrevista: Torna-se mais forte uma comunidade virtual aqui, ou no orkut, por exemplo?

Alexandre Bordin: As comunidades virtuais vão seguir tendências no campo profissional e pessoal conforme as escolhas das pessoas. Quando tivermos acesso a e-mail por exemplo por meio do Second Life, o tempo de conexão de cada um vai aumentar muito.



Platéia (DJBEXIGABunkerpub Benazzi): A Linden hoje é uma empresa que suportaria a evoluçao do Second Life? Ou um Google da vida já estaria tentando algo parecido ou comprar o Second Life?

Alexandre Bordin: Prefiro não arriscar um palpite desse porte. O que eu gostaria é que o Second Life se tornasse a plataforma livre para programação e distribuição de software que todos os profissionais de tecnologia sonham, quem sabe uma grande junção de empresas de ponta faça o Second Life ganhar a estrutura de sistema que esperamos também.